o tempo urge, o coração elege

“Haveria o amor se não fosse a morte? Não será a morte que nos precipita no amor, na urgência do amor? Porque o tempo urge, o coração elege.”

(Achei esse texto anotado num pedaço de papel virtual, uma daqueles arquivos sem nome que se acumulam no hd como antes se acumulavam nas gavetas. E o achei tão estranho – desafiador talvez fosse a palavra. Em outra nota, possivelmente anterior, encontrei o texto que segue, aparentemente relacionado com o primeiro)

“Toda nossa cognição se constrói para a sensibilidade; para que sintamos com mais intensidade. Não há, de modo algum, qualquer oposição entre sensibilidade e entendimento – ou melhor, entre alma e corpo. A alma, essência, substrato inteligente, ela busca o corpo, materializa-se em um corpo, realiza-se como essência ao ganhar existência em um corpo. E para quê? para singularizar-se pelo amor e pela morte. A alma precisa saltar da eternidade para a finitude para conhecer o que só Deus conhece – a singularidade na infinitude. Ou, mais ainda, para conhecer o que só Deus conhece de fato: o amor. Porque a alma, se imortal ou infinita, não conhece o amor, porque o amor só se realiza na singularidade, na relação a dois, exclusiva, eleita e que precisa realizar-se inteira agora, a cada instante, porque a morte espreita o amor. “