a inveja dos anjos

Observo a água escorrer pela minha mão. Sinto sua temperatura mais fria, me encanto com sua limpidez e os mínimos e fugazes clarões coloridos que sob a luz se formam. Fico assim, brincando no silêncio de água e luz.

“Os anjos me invejam”, me ocorre pensar enquanto gozo da dádiva de estar vivo, de sentir, com todo o corpo, cada instante, que na alma se guarda. Que riqueza é a vida, que os anjos, presos à eternidade, não podem conhecer! Que tristeza é termos esquecido que o Paraíso é o corpo, o corpo imaculado, eterno e vivo como o próprio Deus. Lastima-se a perda do Éden como se fora um terreno, um espaço, um lugar – e não essa condição do corpo ressuscitado de Cristo.

Sobre o corpo desceu a escuridão da morte. É noite no Jardim. Mas para os que esperam, amanhecerá.

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Domine Iesu Christe, Fili Dei, miserere mei, peccatoris.