preconceito religioso

“Uma coisa tem de realidade tanto quanto tem de luz”, escreveu São Tomás.

Um exemplo simples de “preconceito religioso”: há pouco mais de dois anos, uma notícia me chamou a atenção:

“In september (2011), a furore erupted among physicists after it emerged that neutrinos — diaphanous particles which pervade the universe but rarely interact with anything — appear to be travelling faster than light. Since neutrinos are thought to have mass, and since Albert Einstein’s special theory of relativity posits that accelerating any non-zero mass to the speed of light requires infinite energy, this implied that Einstein was not quite right.”

Onde está o preconceito? É tão óbvio… A Teoria da Relatividade, ao menos é o que se infere do texto, não afirma que é impossível a existência de uma fonte de energia infinita. Ao contrário, ela afirma categoricamente que a aceleração de uma partícula com massa maior do que zero a uma velocidade acima da velocidade da luz exige a ação de uma fonte de energia infinita. Logo, a detecção de uma partícula acelerada a uma velocidade superior à da luz dá prova da existência de uma fonte de energia infinita. Se admitirmos que “uma fonte de energia infinita”, por definição, só pode ser Deus, logo, a detecção da partícula dá prova da existência de Deus.

Mas, surpreendentemente, essa hipótese sequer passa pela cabeça do autor da matéria – e, passados dois anos, de ninguém. Preferiu-se o caminho, também plausível, mas tortuoso, de negar a Teoria da Relatividade, mesmo em face da evidência de uma partícula se deslocando a uma velocidade superior à da luz, porque não se pode admitir a existência de uma fonte infinita de energia.

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Pretender uma “prova científica” da existência de Deus seria uma tolice. Não é essa a pretensão da ciência e o próprio conceito de Deus ultrapassa o âmbito da ciência. No caso, a existência de uma fonte de energia infinita é uma  exigência ou uma necessidade da Teoria da Relatividade face a uma evidência – mais prudente é chamar de “indício”, porque será preciso ainda comprovar, por indução, a existência de neutrinos acelerados a uma velocidade maior do que a da luz.

Comprovada a existência de tais partículas, e tendo já a Teoria da Relatividade demonstrado sua consistência, a conclusão mais coerente  será admitir a existência de uma fonte de energia infinita.

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Por uma dessas coincidências que fazem pensar em Deus (para usar uma expressão que tanto me agrada), dou de cara com esta referência ao matemático e teólogo russo  Pavel Florenski, ordenado sacerdote da Igreja Ortodoxa Russa e que só por seu talento conseguiu sobreviver por tanto tempo à brutalidade dos bolcheviques. Segue o trecho:

“Pero fue más tarde, que publicó su obra más importanteLos números imaginarios de la Geometría, en el que da una interpretación geométrica de la teoría de la relatividad de Einstein.  Ahí defendía que cualquier cuerpo que se moviera a mayor velocidad de la luz formaba parte de la geometría del reino de Dios. “

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Não é um texto profundo ou teórico, mas mera apresentação desse personagem certamente desconhecido da maioria.