chuva

Chove copiosamente e a casa torna-se escura, úmida e cinza, soturna caixa onde ressoa o pranto do mundo convulso e triste.

Toda vingança é triste porque redobra a solidão que a gerou. Como é triste todo gozo que não se assente no amor. E triste é o corpo que na tarde triste não encontra abraço e toda alma onde é inverno e todo coração desassossegado.

(Matam-se os homens por seus nomes e casam-se por seus nomes para que se esqueçam outros homens e a isso chamam de Amor e de História)

Em espasmos de violência imprevista, a chuva torna-se mais forte e assim vai e volta, entre o grito revoltado e o lamento.

Chove e a alma transparente na água se dissolve e escorre por toda parte, anônimo sangue do mundo, ansiosa que a imerecida graça a devolva ao céu de onde veio.

Chove e na caverna escura o corpo também espera.

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The Word of the LORD came unto me, saying:

O miserable cities of designing men,
O wretched generation of enlightened men,
Betrayed in the mazes of your ingenuities,
Sold by the proceeds of your proper inventions:
I have given you hands which you turn from worship,
I have given you speech, for endless palaver,
I have given you my Law, and you set up commissions,
I have given you lips, to express friendly sentiments,
I have given you hearts, for reciprocal distrust.
I have given you the power of choice, and you only alternate
Between futile speculation and unconsidered action.
Many are engaged in writing books and printing them,
Many desire to see their names in print,
Many read nothing but the race reports.
Much is your reading, but not the Word of GOD,
Much is your building, but not the House of GOD,
Will you build me a house of plaster, with corrugated roofing,
To be filled with a litter of Sunday newspapers?

(Um dos coros de A Rocha, de T.S.Eliot. Não encontrei na internet a tradução de Ivan Junqueira, belíssima).

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