noite

Há no céu uma lua imensa encoberta por grossas nuvens. Faz frio. Talvez chova. Eu não posso. Ela parece ter enlouquecido e é preciso manter a calma. Talvez seja um surto, talvez seja definitivo. É preciso ter paciência. O vento me faz companhia. Sinto saudades. Sinto saudades? Sinto mágoa, arrependimento, falta. Sinto saudades. É tão confuso. Tudo em Deus repousa e nele encontra sentido. Mas eu não vejo. Sou todo trevas. Meu coração está batendo. Respiro. O silêncio nesta casa às vezes é constrangedor. Devia rezar, mas a tristeza é uma forma de revolta. O dragão do ressentimento: foi ele quem nos ditou todos os gestos e falas. Por que não dissemos simplesmente “Desculpe, fiz tudo errado, vamos começar de novo?” e depois chorar e chorar longamente, como dois tolos?