a consciência

“A consciência que temos do universo é ela própria um diálogo entre o universo e nós, no qual o universo fala conosco tanto quanto falamos com ele. Ao observar seu próprio corpo, os outros homens e a natureza inteira, o eu se observa nas testemunhas fora das quais ele nada sabe de si mesmo. Jamais consegue apreender diretamente sua verdadeira natureza; no entanto, o mais humilde dos seres, o menor dos objetos, o mais frívolo dos acontecimentos são como tantos signos que lhe proporcionam sua revelação. E o espaço inteiro é um espelho infinito no qual ele discerne o jogo de suas diferentes potências, a eficácia e os limites dela.
Quem quer se conhecer de mais perto se olha em outro eu, que é sempre um espelho mais comovente. A descoberta de outra consciência é semelhante, para nós, à daqueles lugares privilegiados onde percebemos os ecos de nossa própria voz com atraso suficiente para que nos pareçam distintos, ou à daqueles poços fundos onde eles repercutem com uma gravidade sonora que nos dá uma espécie de comoção.”

Louis Lavelle, A Consciência de Si

Café Terrace at Night by Vincent van Gogh