O dom de captar a luz

David Hockney, Retrato de um Artista (Piscina com duas pessoas)

O quadro é lindo…
Parece dotado de movimento, tamanha a intensidade da luz.
Pintura é isso: o dom de capturar a luz.
O resto é lavagem de dinheiro.
É um David Hockney e vale 800 milhões de dólares.
Lembra Hopper, claro. E Hockney não esconde sua admiração por ele. Pelo contrário, basta uma pesquisa rápida na internet para encontrar um monte de quadros que são citações ou mesmo versões de clássicos de Hopper. O nome disso é paixão – e não tem nada a ver com plágio.

Mas um Hopper que (como a Ipanema de Tom Jobim) “era só felicidade”.
Não há um traço de melancolia, tristeza, introspecção – nada. Tudo é o que é, numa exuberante exibição de vitalidade. Um elogio (e uma elegia) ao ser, à vida. À boa vida, inclusive, de que as piscinas são o melhor emblema.
Que Hockney as tenha transformado em objetos quase transcendentes é uma ironia que me encanta – eu que hoje tanto adoro estar numa piscina nadando…