Do amor e da beleza

“Vê-se desde já onde se situa a lei natural. Ela existia no começo, no ato mesmo da Criação: foi então promulgada por Deus ao inscrevê-la na estrutura da natureza que nos foi dada.

Toda criatura traz, pois, em si a lei da sua natureza: e esta lei universal consiste em amar acima de tudo a seu Criador.

O universo inteiro ama naturalmente a Deus acima de tudo, mas o ama a seu modo de mineral ou de vegetal, e dá-lo a perceber é a mais alta função da arte quando representa coisas materiais: não se trata de fotografá-lo, pois então o fotógrafo melhor faria que o artista, seria mais exato; não se trata tampouco do quimérico e orgulhoso projeto de pretender tornar as coisas materiais mais belas do que são, como se Deus fosse um artista menor.

Trata-se, para o artista, misteriosamente, de mostrar que uma paisagem, a curva de um rio, a figura de uma árvore rendem, à sua maneira, um testemunho, que é um testemunho de amor.”

Jean Madiran, Breve Compêndio da Lei Natural, Revista Permanência, # 274