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		<title>Quase um segredo&#8230;</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Feb 2012 10:51:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Caetano</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>É inacreditável. No primeiro momento, você sente a estranheza sem conseguir localizar o que é de fato estranho na paisagem. É o que sobra ou é o que falta nela?  É o que falta! Mas o quê? As grades! Um quarteirão inteiro em plena zona sul da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro &#8211; sem grades nos prédios! Sim, para onde quer que você olhe, nada de grades. Incrível!</p>
<p>Se para qualquer carioca com menos de 30 anos isso pode ser a visão de um futuro a se alcançar, uma espécie de utopia urbana factível &#8211; a retirada de todas as grades dos prédios &#8211; para alguém com mais de 50 é sobretudo a volta a um Rio mais tranquilo, mais suburbano, em que se caminha à noite pelas ruas, em que se namora na praia. Aquele quarteirão ficou &#8211; firmemente ancorado em sua graça, imune ao tempo, ao medo, ao crescimento.</p>
<p>O que me inibe de dizer o nome da rua é que talvez toda essa beleza &#8211; ao mesmo tempo, passado vivo e utopia &#8211; se sustente no segredo. Temo que, ao contar o nome, quebre o encanto e então já será preciso grades. Melhor então não dizer nada. Que outros reparem e, discretos, também não digam nada. Porque certamente haverá quem passe por lá sem reparar o óbvio, o óbvio ululante que ninguém costuma enxergar, os cegos para o óbvio, esses distraídos.</p>
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