Folhetins: apresentação

Outra idéia antiga: escrever folhetins, histórias divididas em capítulos, com novelas.

Sob o ponto de vista do trabalho em si (de sua forma lógica, digamos assim), não há diferença entre escrever uma crônica ou um capítulo de folhetim. O melhor exemplo é Machado de Assis. Seus romances todos têm a estrutura de um folhetim, os capítulos são “quase-crônicas”, e uma parte da sedução machadiana deriva, suspeito, dessa “limitação formal” ou “fórmula narrativa”.

A crônica e o capítulo de folhetim são parentes póximos e isso explica minha paixão por Machado e Rubem Braga.

Por outro lado, vou acumulando enredos para histórias que nunca sei se serão contos ou romances – e nessa indecisão, acabo por não desenvolvê-los. A ideia de escrevê-los sob a forma de folhetins com dia certo para cada capítulo cria a obrigação da continuidade e, ao mesmo tempo, me liberta da angústia da extensão: será conto, será romance? Pouco importa, no caso de um folhetim.

Inicialmente, vou publicar uns textos que já estão prontos: duas peças de teatro e dois contos.

Depois irei desenvolvendo os outros.