Os ditadores

Para entender essa imagem é preciso tomar conhecimento de todo o processo que levou ao golpe militar contra Salvador Allende, liderado por Augusto Pinochet. Certamente, a maioria dos leitores não conhece os detalhes revelados neste texto. clique

Não são informações secretas, mas fatos públicos, história, enfim, que estranhamente nunca é citada quando se fazem cronologias do golpe militar chileno. Até bem pouco tempo atrás, eu não sabia que Fidel Castro havia passado 24 dias no Chile de Allende, percorrendo o país de ponta a ponta, discursando, dando entrevistas e interferindo diretamente na vida política chilena, naquela que foi a mais longa “visita” de um chefe de Estado a um país estrangeiro.

Como os heresiarcas do conto de Jorge Luis Borges, Pinochet e Fidel são, aos olhos de Deus, a mesma e horrenda pessoa, o arrogante e sanguinário tirano.

O tirano e a vida

Deu no Elio Gaspari:

“Vai ao martelo hoje, na casa de leilões Sotheby’s de Nova York, um manuscrito de Stalin. Está avaliado entre US$ 30 mil e US$ 50 mil. Trata-se de um bilhete de 1930, escrito a lápis, comutando a pena de morte do general Andrei Snesaryev, um matemático que falava 14 idiomas e, nos anos 20, escreveu um livro explicando que a URSS não devia se meter com o Afeganistão.

No mercado americano de autógrafos só existem dois manuscritos de Stalin. Comutando pena de morte, deve ser um dos poucos no mundo. (Snesaryev foi mandado ao Gulag por dez anos e lá morreu.)”

Tirania é isso: num pedaço de papel, manuscrito a lápis, o destino de um homem. Ou, em se tratando de Stalin e seus Gulags, o adiamento de sua morte por dez anos.

Lápis, pedaço de papel: tudo indica pressa e desdém.

Li em algum lugar, que Béria, chefe da polícia política de Stalin, estabelecia cotas de presos e executados aos comissários responsáveis pela Revolução em cada província. Alguns, para mostrar serviço, excediam os números. Nos relatórios, as mortes eram indicadas com precisam mercantil: 14.512 executados, 24.151 presos – por exemplo.

Sobre nuvens e ventos

“Estas nuvens solitárias só existem em vastos planaltos, planícies ou baixadas. Onde existem morros, também existem, mas são menos comuns e não podem ser facilimente avistadas, por motivos óbvios, como os próprios
morros e os prédios altos das grandes cidades.

Carlos Newton (geógrafo de plantão, na ausência do prof. Milton Santos)

Sobre gaivotas e ventos

“Por falar em gaivotas, já impressionei muita gente nem tão boba, com uma visão que havia tido de que naquele dia, na ponte encontraria várias gaivotas planando, (até aí tudo bem) alinhadas sobre o parapeito voltado para barra da baía. Todas do mesmo lado.
Em mais de 90% dos dias o vento entra da barra pra dentro da baía, tanto é que quase sempre os aviões decolam e pousam de bico para o Pão de Açucar. O vento que vem de fora, bate no costado da Ponte e gera uma ascendente que garante o planeio das bichas. De um lado é ascendente, do outro forma o que os voadores de asas chamam de buraco.
Na próxima vez que vier a Niterói, comente com seus companheiros a sua visão, que dificilmente falha.”

Moacyr Bogado