Ainda sobre o caso Sader

Insisto: para ser professor, dois requisitos são necessários (ou seja, a ausência de um desqualifica o sujeito para a função): amor à verdade e a capacidade de reconhece-la.
Quem leu o texto de Sader não tem como negar que ele interpretou a palavra “raça” do jeito errado. A frase de Bornhausen nada tinha de hermética: “Vamos nos livrar dessas raça por trinta anos”.

Enfim, ou Sader é burro ou mau caráter. De um jeito ou de outro não pode ser professor numa entidade pública, isto é, sustentada pelos impostos dos eleitores.
Se alguma entidade particular ou estrangeira (que tal Cuba, onde Che Guevara é estudado como se fosse filósofo, algo assim como um Santo Agostinho da Revolução?) é problema de quem paga.

Fora isso, o texto é deliberadamente injurioso. As pessoas fingem confundir liberdade de expressão com impunidade de expressão. Digo, fingem pq o PT hj é uma indústria de processos contra jornalistas, articulistas e todo mundo que ouse criticá-los. A lista é grande, mas dela constam Diogo Mainardi, Ipojuca Pontes, Olavo Carvalho e por aí vai…
Tarso Genro, por exemplo, se dá ao luxo de processar seus críticos usando recursos públicos.

O crescimento do espetáculo

“Um estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI) mostra que o Brasil é uma espécie de “patinho feio” no grupo de países emergentes, que, puxado principalmente pelo desenvolvimento da China, da Índia e da Rússia, cresceu 65% entre 1997 e 2006, acima da média mundial (43%) e da brasileira (22%). “

Sobre a sentença dada a Emir Sader

Há duas condições essenciais para um sujeito ser professor: o amor à verdade e a capacidade de reconhecê-la. Pela interpretação que dá ao uso do termo “raça”, ou Emir Sader não tem amor à verdade ou é incapaz de reconhecê-la. Logo, não pode ser professor, ao menos numa instituição pública.
Sob o ponto de vista, digamos, “estético”, por muito menos do que ele escreveu, petistas como Tarso Genro e Marco Aurélio Garcia estão processando jornalistas.

Ao dizer “A gente vai se ver livre desta raça, por, pelo menos, 30 anos”, Bornhausen escorregou no estilo e no profetismo.
Mas a interpretação que Emir Sader dá à declaração atesta burrice ou falta de caráter. Além de ser, de fato, injuriosa. Leia e tire suas conclusões.

Sobre a política

Tenho pensado em me disciplinar para a cada dia da semana escrever sobre um tema. A crônica ocuparia as segundas e, nos outros dias escrevia, por exemplo, sobre internet, política, literatura, filosofia e programas de computador. É ainda uma idéia. Veremos…

Sobre política, vinha pensando pela rua que nos falta – a eleitores e eleitos – grandeza.
O que é grandeza? A mistura de imaginação e generosidade.
Por que não experimentamos algumas propostas antes de adotá-las em definitivo?
As tais reformas trabalhistas, por exemplo. Por que, em política, não se pode fazer experiências?
Por outro lado, essa crença brasileira na política me parece uma espécie de totemismo.

Anicca, a lei suprema

A lei suprema não é o kharma, a infindável teia de causas e efeitos que gera as sucessivas encarnações marcadas por sofrimento e limitação. A lei suprema é anicca, impermanência, o exato oposto do kharma.

O kharma existe enquanto não aceitamos a impermanência, a condição finita de todas as coisas mundanas, preço que pagamos pela experiência da singularidade. Só podemos viver a experiência de sermos únicos e singulares enquanto seres finitos. Só Deus, por princípio, pode ser simultaneamente singular e infinito. Se a genuína aceitação de anicca (impermanência) nos conduzirá a alguma nova condição de vida singular – a construção de uma alma singular, como parece ser a promessa de Cristo – é uma especulação que só nos atrapalhará na difícilima tarefa de aceitar e vivenciar anicca para superar a condição egoista que nos escraviza ao kharma.

Há nisso um grande koan, aparentemente paradoxal: o kharma existe e não existe. Existe, como ilusão negativa do ego, como sua crença mais fundamental: se isto então aquilo. Não existe – ou melhor, se dissolve – quando a lei suprema da impermanência é encarnada definitivamente em uma vida.

Buda e os professores de Vipassana insistem que os alunos abandonem as especulações e se dediquem com empenho e disciplina à pratica da meditação. Essencialmente, estão nos dizendo sempre uma mesma coisa: “Vivam o presente”. Eles insistem que fixemos nossa atenção no presente, no imediatamente dado, na única realidade a que temos acesso que é aquela que se identifica com as sensações do corpo.

De fato, o presente identifica-se com o sensível – do mesmo modo que a memória se identifica com o passado e a imaginação com o futuro, numa redução ideal das faculdades que constituem a consciência.O presente é o corpo, enfim.

Só o corpo e o silêncio nos pertencem genuinamente. Pois até as palavras nos são emprestadas.