Sobre a sentença dada a Emir Sader

Há duas condições essenciais para um sujeito ser professor: o amor à verdade e a capacidade de reconhecê-la. Pela interpretação que dá ao uso do termo “raça”, ou Emir Sader não tem amor à verdade ou é incapaz de reconhecê-la. Logo, não pode ser professor, ao menos numa instituição pública.
Sob o ponto de vista, digamos, “estético”, por muito menos do que ele escreveu, petistas como Tarso Genro e Marco Aurélio Garcia estão processando jornalistas.

Ao dizer “A gente vai se ver livre desta raça, por, pelo menos, 30 anos”, Bornhausen escorregou no estilo e no profetismo.
Mas a interpretação que Emir Sader dá à declaração atesta burrice ou falta de caráter. Além de ser, de fato, injuriosa. Leia e tire suas conclusões.

Sobre a política

Tenho pensado em me disciplinar para a cada dia da semana escrever sobre um tema. A crônica ocuparia as segundas e, nos outros dias escrevia, por exemplo, sobre internet, política, literatura, filosofia e programas de computador. É ainda uma idéia. Veremos…

Sobre política, vinha pensando pela rua que nos falta – a eleitores e eleitos – grandeza.
O que é grandeza? A mistura de imaginação e generosidade.
Por que não experimentamos algumas propostas antes de adotá-las em definitivo?
As tais reformas trabalhistas, por exemplo. Por que, em política, não se pode fazer experiências?
Por outro lado, essa crença brasileira na política me parece uma espécie de totemismo.

Anicca, a lei suprema

A lei suprema não é o kharma, a infindável teia de causas e efeitos que gera as sucessivas encarnações marcadas por sofrimento e limitação. A lei suprema é anicca, impermanência, o exato oposto do kharma.

O kharma existe enquanto não aceitamos a impermanência, a condição finita de todas as coisas mundanas, preço que pagamos pela experiência da singularidade. Só podemos viver a experiência de sermos únicos e singulares enquanto seres finitos. Só Deus, por princípio, pode ser simultaneamente singular e infinito. Se a genuína aceitação de anicca (impermanência) nos conduzirá a alguma nova condição de vida singular – a construção de uma alma singular, como parece ser a promessa de Cristo – é uma especulação que só nos atrapalhará na difícilima tarefa de aceitar e vivenciar anicca para superar a condição egoista que nos escraviza ao kharma.

Há nisso um grande koan, aparentemente paradoxal: o kharma existe e não existe. Existe, como ilusão negativa do ego, como sua crença mais fundamental: se isto então aquilo. Não existe – ou melhor, se dissolve – quando a lei suprema da impermanência é encarnada definitivamente em uma vida.

Buda e os professores de Vipassana insistem que os alunos abandonem as especulações e se dediquem com empenho e disciplina à pratica da meditação. Essencialmente, estão nos dizendo sempre uma mesma coisa: “Vivam o presente”. Eles insistem que fixemos nossa atenção no presente, no imediatamente dado, na única realidade a que temos acesso que é aquela que se identifica com as sensações do corpo.

De fato, o presente identifica-se com o sensível – do mesmo modo que a memória se identifica com o passado e a imaginação com o futuro, numa redução ideal das faculdades que constituem a consciência.O presente é o corpo, enfim.

Só o corpo e o silêncio nos pertencem genuinamente. Pois até as palavras nos são emprestadas.