Meus monstros

Na infância ele me evocava um monstro bíblico, pré-histórico, que inexplicavelmente também habitava as escadarias do cinema Azteca: a mesma bocarra, os mesmos olhos enormes e esbugalhados. Me intrigava essa semelhança. Me intrigava que pudesse haver um fio invisível unindo um abridor de latas, as imensas figuras de pedra na porta do cinema da esquina […]

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A calçadeira

Aos poucos vão restando só os objetos de mais estima. Objetos que já existiam antes de mim, que já estavam aqui antes que eu lhes aprendesse o nome ou o uso. Objetos que foram como estranhos animais de estimação, que permaneceram os mesmos enquanto eu envelhecia. Eu brinquei com eles, lhes interroguei o sentido, saboreei […]

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O lírio

  E, no entanto, há o lírio – cuja silenciosa exuberância quase nos oculta o que o perfume apenas insinua: o incessante e imperceptível labor da perfeição que é seu destino, instante fugaz, aos olhos impossível, em que o tempo coincidirá com a eternidade – sem alarde, trivial até, como Deus sabe ser aos olhos […]

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